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Ostra com granita de shissô, do Picchi: Itália e Japão na concha

Uma ostra, uma granita e uma erva japonesa no menu do Picchi, estrela Michelin em São Paulo. O que é cada ingrediente e de onde vem a ostra no Brasil.

★ 1 estrela MichelinFonte: Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo 2026

Ostra do Picchi servida na concha, com pequenas esferas verdes e gotas de azeite, segurada sobre uma tigela com gelo
Foto: Crudo e Érika Mayumi

Conteúdo feito por pesquisa, com base nas fontes listadas no fim da página. Não visitamos os restaurantes citados, a não ser quando isso é dito no texto. Como trabalhamos.

Uma ostra fresca, servida na própria concha sobre gelo. Por cima, um verde intenso. É assim que o Picchi, restaurante italiano com uma estrela Michelin nos Jardins, em São Paulo, apresentou a ostra com granita de shissô no menu degustação de agosto de 2025.

O prato junta três mundos num gesto só: o mar brasileiro, de onde vem a quase totalidade das ostras consumidas no país; uma técnica siciliana, a granita; e uma erva japonesa, o shissô. Para um restaurante cujo chef, Pier Paolo Picchi, define a casa como uma cozinha italiana que “transita entre algumas coisas clássicas, outras mais modernas”, como disse à revista Versatille, a combinação faz sentido.

Este artigo explica cada ingrediente, mostra o que se vê na foto cedida pelo restaurante e reúne curiosidades com fonte. O que só o chef pode contar, como a ideia por trás do prato, ainda está a caminho.

O que se vê na foto

A foto, de Crudo e Érika Mayumi, mostra uma mão segurando a ostra aberta sobre uma tigela de gelo picado. Dentro da concha, além da carne da ostra, aparecem pequenas esferas verdes e gotas de um óleo dourado, aparentemente azeite.

O restaurante não detalhou a técnica usada, e não sabemos se as esferas verdes são a própria granita ou outro elemento do prato. Por isso, no quadro de ingredientes acima, reunimos o que está no nome do prato e o que aparece na foto; a lista completa será confirmada com o restaurante.

A ostra: do Japão a Santa Catarina

A ostra é um molusco bivalve, de duas conchas, que se alimenta filtrando a água do mar, principalmente o fitoplâncton, como explica a National Geographic Brasil. Por isso, a qualidade da água onde ela cresce é tudo.

No Brasil, a história da ostra cultivada é recente. Segundo a revista Panorama da Aquicultura:

O que fez Santa Catarina dar certo, segundo a mesma revista, foi a união entre a pesquisa da universidade, a extensão rural do governo do estado (hoje Epagri) e as comunidades de pescadores. Comunidades da Ilha de Santa Catarina como Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa prosperaram com a atividade, conta a National Geographic Brasil, e hoje mais de 90% da produção nacional de ostras vem do estado.

O crescimento aparece nas sementes, as ostras jovens que os produtores colocam no mar. Segundo a National Geographic Brasil, o Laboratório de Moluscos Marinhos da UFSC passou de 400 mil sementes produzidas em 1997 para mais de 45 milhões na época da reportagem, em 2018. A revista chega a descrever Florianópolis como um modelo de cultivo de ostras para o resto do país.

Na safra de 2018, segundo a Epagri, Santa Catarina produziu 2.205 toneladas de ostras, e 98,5% delas eram ostras-do-pacífico. O restante eram ostras nativas.

O Picchi não informou a origem da ostra usada neste prato. É uma das perguntas que faremos ao restaurante.

A granita: cristais de gelo da Sicília

Para o dicionário italiano Treccani, a granita é um tipo de sorbet feito com uma calda doce aromatizada, com limão, café ou suco de frutas, que é mexida durante o congelamento até formar uma massa de cristais de gelo muito finos. O nome vem do verbo granire, pela aparência granulada.

A granita tem raízes antigas na Sicília. Segundo o site italiano Consumatori.it, ela era feita originalmente misturando neve com caldas, pasta de amêndoa ou frutas cítricas. Hoje, máquinas próprias transformam a calda em gelo granulado sem precisar de neve. A mesma fonte explica a diferença para a grattachecca romana: esta é feita raspando um bloco de gelo, enquanto a granita nasce de uma calda que congela sendo mexida.

No Picchi, a granita aparece numa versão salgada, aromatizada com shissô. Não sabemos a receita: o restaurante não a divulgou.

O shissô: a erva japonesa da família da hortelã

O shissô, ou perila, é uma erva japonesa de aroma refrescante. Segundo o glossário da Kikkoman:

Trazer o shissô para uma ostra num menu italiano é o tipo de encontro entre o clássico e o moderno que o chef descreve na entrevista à Versatille. A cor verde das esferas na foto combina com a do shissô verde, mas o restaurante não confirmou qual tipo de folha usa.

A ostra na história do Picchi

A ostra não é novidade na cozinha de Pier Paolo Picchi. Em março de 2017, ano da primeira estrela Michelin, o site Gastrovia listou dois pratos novos da casa com o ingrediente:

No cardápio de fevereiro de 2026, publicado no site do restaurante, a ostra segue presente no tartar de cordeiro, ostra e maçã verde (R$ 111), servido à la carte. São quase dez anos de ostra no Picchi, sempre em combinações diferentes.

Sobre a escolha dos ingredientes, o chef disse à Versatille, em 2022: “Tudo o que coloco nos pratos, busco sempre o mais fresco, da estação, desde os legumes, que são todos orgânicos, até os peixes, nós não congelamos nada”.

Ostra crua com segurança

Ostras são, muitas vezes, servidas cruas, e por isso a origem importa. No Brasil, as áreas de cultivo são acompanhadas pelo Programa Nacional Moluscos Bivalves Seguros (MoluBiS), do Ministério da Agricultura e Pecuária, criado pela Portaria SDA/MAPA nº 884, de 6 de setembro de 2023. O programa substituiu o antigo PNCMB, de 2012, e monitora micro-organismos e biotoxinas marinhas nas áreas de produção de ostras, mexilhões e vieiras. Em Santa Catarina, a fiscalização é feita pela Cidasc.

Para quem compra ostra para comer em casa, o caminho é procurar produtos de áreas e produtores registrados nesse programa.

Por trás do prato

Esta é a parte que só o chef pode contar: o que inspirou a ostra com granita de shissô, como ela é preparada, qual é a etapa mais difícil e de onde vêm a ostra e o shissô. Essas perguntas serão enviadas ao Picchi, e o artigo será atualizado assim que o restaurante responder. Até lá, preferimos deixar o espaço em branco a supor uma resposta.

O prato em resumo

Prato Ostra com granita de shissô
Restaurante Picchi, São Paulo (1 estrela Michelin, Guia 2026)
Chef Pier Paolo Picchi
Menu Menu degustação de agosto de 2025
Ingredientes no nome Ostra e granita de shissô
Origens Ostra: cultivo no Brasil, sobretudo em SC (origem deste prato não informada); granita: Sicília; shissô: Japão
Foto Crudo e Érika Mayumi

Curiosidades

  1. A primeira ostra-do-pacífico do Brasil veio da Grã-Bretanha, em 1974, e não do Japão (Panorama da Aquicultura).
  2. “Granita” vem de “granire”, pela aparência granulada dos cristais de gelo (Treccani).
  3. A granita nasceu com neve: na Sicília, ela era feita misturando neve com caldas e frutas (Consumatori.it).
  4. O shissô roxo tem temporada curta: no Japão, só aparece de junho a agosto (Kikkoman).
  5. Ostra no Picchi desde 2017: no ano da primeira estrela, a casa servia uma sopa morna de ostra com erva-doce e capim-santo (Gastrovia).

Informações práticas

Restaurante Picchi
Endereço Rua Oscar Freire, 533, Jardins, São Paulo (hotel Regent Park)
Menus degustação Tutto Pasta (R$ 499), Tradizione (R$ 699) e Picchi (R$ 1.249), cardápio de fevereiro de 2026
Regra Toda a mesa escolhe o menu degustação; pedido até 1 hora antes do fechamento
Reservas (11) 3065-5560, WhatsApp (11) 99448-9575, contato@restaurantepicchi.com.br
Site restaurantepicchi.com.br

A história completa do restaurante e do chef está no nosso artigo Picchi, em São Paulo: a cozinha italiana de Pier Paolo Picchi.

Nota editorial

Artigo feito por pesquisa, sem visita ao restaurante e sem provar o prato. A foto foi cedida pelo Picchi, por meio da Agência Síbaris, e o crédito segue exatamente o pedido do restaurante. O prato é do menu degustação de agosto de 2025 e pode não estar sendo servido. Os ingredientes listados são só os do nome do prato e os visíveis na foto; a receita, a origem da ostra e a história do prato serão pedidas ao restaurante e acrescentadas quando chegarem. As informações sobre ostra, granita e shissô são gerais, com as fontes listadas abaixo.

Perguntas frequentes

O que é shissô?

É uma erva japonesa da família da hortelã, também chamada de perila. Existe em versão verde e roxa. A verde é usada no Japão como tempero de macarrão somen e tofu frio, em tempurá e em grelhados. O aroma característico vem de uma substância chamada perilaldeído.

O que é granita?

É um tipo de sorbet siciliano feito com uma calda aromatizada que é mexida enquanto congela, formando uma massa de cristais de gelo muito finos. O nome vem do italiano granire, pela aparência granulada.

Qual a diferença entre granita e sorbet?

Para o dicionário Treccani, a granita é um tipo de sorbet. O que a distingue é a textura: ela é mexida durante o congelamento e fica com cristais de gelo visíveis, enquanto o sorbet é mais liso.

De onde vêm as ostras consumidas no Brasil?

A maior parte vem de cultivos em Santa Catarina, que responde por mais de 90% da produção nacional de ostras, principalmente da ostra-do-pacífico (Crassostrea gigas). O Picchi não informou a origem da ostra usada neste prato.

É seguro comer ostra crua?

No Brasil, as áreas de cultivo de ostras são monitoradas pelo Programa Nacional Moluscos Bivalves Seguros (MoluBiS), do Ministério da Agricultura, que verifica micro-organismos e biotoxinas. O ideal é comprar ostra de produtor registrado.

Esse prato ainda está no menu do Picchi?

A foto é do menu degustação de agosto de 2025. O Picchi muda os ingredientes conforme a estação, então confirme com o restaurante se o prato está sendo servido.

Fontes

Preços, estrelas e horários mudam: confirme sempre no site oficial do restaurante antes de reservar. Viu algo errado? Sugira uma correção.

Escrito com apoio de ferramentas de IA e revisado por Gustavo Leite.

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