Conteúdo feito por pesquisa, com base nas fontes listadas no fim da página. Não visitamos os restaurantes citados, a não ser quando isso é dito no texto. Como trabalhamos.
Quem passa pela Rua Oscar Freire, nos Jardins, talvez não perceba que, no hotel Regent Park, funciona um restaurante italiano com estrela Michelin. O Picchi leva o sobrenome do chef Pier Paolo Picchi e tem uma estrela Michelin desde 2017. Na edição 2026 do Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo, ela foi mantida.
O que move essa cozinha cabe numa frase dita pelo próprio chef à revista Versatille, em 2022: “É uma cozinha italiana. A gente transita entre algumas coisas clássicas, outras mais modernas”. Este artigo conta de onde vem essa cozinha, mostra cinco pratos do menu degustação em fotos cedidas pelo restaurante e explica quanto custa e como reservar.
A cozinha da mãe e da avó
Segundo o site do restaurante, Pier Paolo é filho de italianos e passou a infância na cozinha, “observando a mãe e a avó cozinharem diariamente”. Ao Reporter Gourmet, em 2025, a família foi descrita como um ambiente em que a comida funcionava como cola, e a avó paterna, como a inspiração do chef. Em perfil publicado pela revista Prazeres da Mesa em 2016, ele lembra a avó cozinhando com peixes, frutos do mar e ingredientes da própria horta, como tomate e cebola.
Aos 17 anos, veio o primeiro estágio, com o chef Alex Atala, no restaurante Filomena, em São Paulo, segundo a Prazeres da Mesa. Ainda no Brasil, passou pelas cozinhas do Emiliano, do Leopoldo Plaza e do Café Antique.
Nove anos na Europa
Em 1997, Pier Paolo se mudou para a Europa, conta o site do restaurante. Formou-se no ICIF, um instituto de culinária italiana para estrangeiros, e trabalhou em cozinhas estreladas, segundo o Guia GPHR:
- Itália: Casa Vissani, na Úmbria; Balzi Rossi, na Ligúria; e Guido, no Piemonte.
- Espanha: Arola, em Madri, e Mugaritz, em San Sebastián.
O site do Picchi resume o aprendizado dessa fase: foi lá que o chef aprendeu a valorizar produtos artesanais e a sazonalidade. Ao todo, foram nove anos de Europa, segundo o Reporter Gourmet.
Do Itaim à Oscar Freire
O restaurante nasceu em 2007. Segundo a Versatille, a primeira casa ficava no Itaim Bibi. Em 2014, o Picchi reabriu num espaço novo, no Regent Park, na Rua Oscar Freire, onde está até hoje.
Os reconhecimentos vieram ao longo do caminho:
- 2011: Pier Paolo venceu o festival Girotonno com uma receita de atum servida com espaguete de pupunha (Prazeres da Mesa).
- 2015: o Picchi entrou no guia italiano Identità Golose (Prazeres da Mesa).
- 2016 e 2017: a revista Veja São Paulo apontou a casa entre os melhores italianos e os melhores executivos da cidade (Guia GPHR).
- 2017: primeira estrela Michelin, mantida até a edição 2026.
O que a casa faz com as próprias mãos
Um traço da cozinha do Picchi é produzir na casa muito do que vai à mesa. O que as fontes confirmam:
- Massas: feitas artesanalmente, segundo o site. Em 2017, o Guia GPHR registrou que o pici, massa típica da Toscana, era feito no Brasil só pelo Picchi.
- Biscoito champagne, cremes e sorbets: também produzidos na casa, segundo o site oficial.
- Mascarpone, ricota, lardo di Colonnata e bresaola: feitos artesanalmente pelo chef, segundo o Guia GPHR. No cardápio de 2026, o carpaccio leva “nossa bresaola”.
- Linguiça artesanal: vai no ragu do pici, segundo o cardápio.
- Brotos e folhas da horta: aparecem no risoto nero e na carne crua batida na faca, segundo o cardápio.
Sobre os ingredientes que compra, o chef disse à Versatille: “Tudo o que coloco nos pratos, busco sempre o mais fresco, da estação, desde os legumes, que são todos orgânicos, até os peixes, nós não congelamos nada”. O Reporter Gourmet acrescenta que a grande paixão de Pier Paolo, talvez antes mesmo de cozinhar, é fazer as compras: tocar os ingredientes frescos e imaginar como combiná-los, respeitando a estação.
Cinco pratos do menu degustação
O Picchi enviou ao Guia da Alta Gastronomia fotos de pratos do menu degustação de agosto de 2025. Os nomes abaixo são os que o restaurante deu a cada foto, e cada prato ganhou um artigo próprio, com a foto e a história dos ingredientes. O menu muda com a estação, como avisa o próprio cardápio, por isso esses pratos podem não estar sendo servidos hoje.
Ostra com granita de shissô. A foto mostra a ostra servida na própria concha, sobre gelo. O shissô é uma erva da família da hortelã, cultivada no Japão desde tempos antigos, segundo o glossário da Kikkoman. Unir uma erva japonesa a uma ostra num menu italiano conversa com o que o chef disse à Versatille: a casa transita entre o clássico e o moderno.
Canapé de alface. Folhas, ervas finas e flores comestíveis, montadas num pequeno cubo de madeira. É uma abertura que mostra o vegetal em primeiro plano, coerente com a preferência por legumes orgânicos que o chef descreve.
Ossobuco com polenta. Um clássico da cozinha lombarda. O nome quer dizer “osso com buraco”: é o músculo da perna do vitelo cortado em rodelas, com o osso e o tutano no centro, segundo a Accademia Macelleria Italiana. Na foto, a colher retira justamente o tutano do osso, servido ao lado de pedaços de carne, polenta e folhas verdes.
O entrecôte de wagyu é a foto de capa deste artigo. Wagyu quer dizer “gado japonês” e reúne quatro raças: Japanese Black, Japanese Brown, Japanese Shorthorn e Japanese Polled. Segundo a JETRO, agência de comércio exterior do Japão, a Japanese Black responde por 90% ou mais desse gado e é conhecida pelo marmoreio, a gordura entremeada na carne. Na foto, a carne aparece em duas fatias, com vagem grelhada, folhas e molho escuro.
Predessert com sorbet de maçã e rúcula. O pré-sobremesa faz a passagem entre os pratos salgados e os doces. Os sorbets, segundo o site do Picchi, são feitos na casa.
Não recebemos a ficha técnica completa desses pratos. Por isso, o artigo lista apenas o que está no nome dado pelo restaurante e o que se vê nas fotos. Não descrevemos sabores: não provamos os pratos.
Os menus e o que custam
O Picchi oferece três menus degustação todos os dias, com “receitas tradicionais e criativas” do chef, e avisa que “ingredientes variam de acordo com a estação”. Os preços são do cardápio de fevereiro de 2026, publicado no site do restaurante:
| Menu | Etapas (site oficial) | Preço por pessoa |
|---|---|---|
| Tutto Pasta | 4 | R$ 499 |
| Tradizione | 6 | R$ 699 |
| Picchi | 12 | R$ 1.249 |
Duas regras do cardápio: toda a mesa precisa escolher o menu degustação, e o pedido só é aceito até 1 hora antes do fechamento.
Há também o cardápio à la carte. Alguns pratos de fevereiro de 2026:
- Per iniziare: prosciutto di Parma com 16 meses de cura (R$ 135); cannoli recheados de mortadela e pistache (R$ 86).
- Antipasti: tartar de cordeiro, ostra e maçã verde (R$ 111); raviolone de gema caipira, guanciale e fonduta de grana padano (R$ 105).
- Massas: pici com ragu de linguiça artesanal e lentilhas (R$ 180); agnolotti de coelho à caçadora, azeitonas e manjerona (R$ 188); pappardelle ao ragu de pato e foie gras (R$ 260).
- Risotos: risoto Acquerello nero com lulas e brotos da horta (R$ 270).
- Secondi: carré de cordeiro com batatinhas, berinjela e alcachofras (R$ 251); filé mignon com foie gras, morilles e purê de batata (R$ 295).
O couvert custa R$ 45 por pessoa no almoço de terça a sexta e R$ 56 no almoço de fim de semana e feriado e no jantar. A rolha, para quem leva o próprio vinho, custa R$ 230 por garrafa de 750 ml. Na carta de sobremesas de junho de 2025 aparecem o Tiramisù Picchi (R$ 56), polenta com gorgonzola (R$ 56) e um “maçã-maçã” com sorvete de baunilha do Cerrado (R$ 54).
“Sou um amante de massas, é o que mais gosto de comer”, disse o chef à Versatille. Não é por acaso que um dos três menus é inteiro dedicado a elas.
Os ingredientes, um a um
- Pici: a massa de Siena por excelência, uma espécie de espaguete grosso enrolado à mão. A receita tradicional leva só farinha e água, sem ovos, segundo o turismo oficial da Toscana. Lá, costuma ser servido com ragu de carne, de pato ou de caça.
- Arroz Acquerello: um carnaroli cultivado na Tenuta Colombara, em Livorno Ferraris, no Piemonte. Fica pelo menos um ano envelhecendo em silos a menos de 15 °C e tem o gérmen reincorporado ao grão por um processo patenteado, segundo o produtor.
- Bresaola: carne bovina curada com especiarias e ervas. A versão mais conhecida, a Bresaola della Valtellina, tem Indicação Geográfica Protegida e só pode ser feita na província de Sondrio, no norte da Itália, segundo o consórcio que a protege. A do Picchi é feita na casa.
- Wagyu: o gado japonês das quatro raças reconhecidas, famoso pelo marmoreio (JETRO).
- Shissô: erva japonesa da família da hortelã, de folha verde ou roxa. A verde é usada como tempero, em tempurá e em grelhados, segundo a Kikkoman.
- Ossobuco: rodela do músculo da perna do vitelo, com o osso e o tutano no centro (Accademia Macelleria Italiana).
Curiosidades
- A primeira casa era em outro bairro. O Picchi abriu em 2007 no Itaim Bibi e só em 2014 foi para a Oscar Freire (Versatille; site oficial).
- Um prêmio com pupunha. Em 2011, o chef venceu o festival Girotonno com atum e espaguete de pupunha, um ingrediente brasileiro tratado como massa (Prazeres da Mesa).
- Uma massa rara no Brasil. Em 2017, o Guia GPHR registrou que o pici era feito no país só pelo Picchi.
- Nada congelado. Segundo o chef, os legumes são orgânicos e nem os peixes vão ao congelador (Versatille, 2022).
- O sonho de voltar. Entre os sonhos de Pier Paolo está voltar a cozinhar na Itália, segundo o Reporter Gourmet.
O que move o chef
Na mesma entrevista à Versatille, Pier Paolo explicou o que o mantém na cozinha: “Essa satisfação de ver o cliente saindo contente, satisfeito, é muito boa, fascinante”. E resumiu a base de tudo em poucas palavras: “Azeite, alho, tomate, todos de boa qualidade. Mas o mais importante é o sabor”.
Da cozinha da avó às casas estreladas da Europa e de volta a São Paulo, a trajetória de Pier Paolo Picchi é a de quem levou a sério o que aprendeu em casa: ingrediente fresco, feito à mão, no tempo da estação.
Informações práticas
| Endereço | Rua Oscar Freire, 533, Jardins, São Paulo (hotel Regent Park) |
| Chef | Pier Paolo Picchi |
| Estrelas | 1 estrela Michelin (Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo 2026); estrelado desde 2017 |
| Cozinha | Italiana, entre o clássico e o contemporâneo |
| Almoço | Terça a domingo, das 12h às 15h |
| Jantar | Terça a sábado, das 19h às 23h |
| Último pedido | 40 minutos antes do fechamento |
| Menus degustação | Tutto Pasta (R$ 499), Tradizione (R$ 699) e Picchi (R$ 1.249), cardápio de fevereiro de 2026 |
| Telefone | (11) 3065-5560 |
| (11) 99448-9575 | |
| contato@restaurantepicchi.com.br | |
| Site | restaurantepicchi.com.br |
Horários e telefones conforme o site oficial, consultado em 2 de outubro de 2026.
Nota editorial
Este artigo foi feito por pesquisa, sem visita ao restaurante. As informações vêm do site oficial e dos cardápios do Picchi, de reportagens e perfis publicados (listados nas fontes) e do Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo 2026. As fotos foram cedidas pelo Picchi, por meio da assessoria Agência Síbaris, e são creditadas exatamente como o restaurante pediu. Elas mostram pratos do menu degustação de agosto de 2025, que muda com a estação. Os preços são do cardápio de fevereiro de 2026 e podem ter mudado: confirme com o restaurante antes de reservar. Encontrou um erro? Escreva para nós pelo link no fim da página.
Perguntas frequentes
Quanto custa o menu degustação do Picchi?
No cardápio de fevereiro de 2026, publicado no site do restaurante, o menu Tutto Pasta custava R$ 499, o Tradizione R$ 699 e o Picchi R$ 1.249, por pessoa. Bebidas, couvert e serviço são cobrados à parte. Confirme o valor atual com o restaurante antes de reservar.
Quantas etapas tem cada menu do Picchi?
Segundo o site oficial, o menu Picchi tem 12 etapas, o Tradizione tem 6 e o Tutto Pasta tem 4. Toda a mesa precisa escolher o menu degustação, e o pedido é aceito até 1 hora antes do fechamento da casa.
O Picchi tem estrela Michelin?
Sim. O Picchi recebeu a primeira estrela Michelin em 2017 e aparece com uma estrela no Guia Michelin Rio de Janeiro & São Paulo 2026.
Onde fica o Picchi?
Na Rua Oscar Freire, 533, nos Jardins, em São Paulo. O restaurante fica no hotel Regent Park.
O Picchi abre no almoço?
Sim. Segundo o site oficial, o almoço é servido de terça a domingo, das 12h às 15h, e o jantar de terça a sábado, das 19h às 23h. O último pedido é feito 40 minutos antes do fechamento.
O que é pici?
É uma massa longa e grossa da região de Siena, na Toscana, enrolada à mão, feita tradicionalmente só com farinha e água, sem ovos. No Picchi, ela é servida com ragu de linguiça artesanal e lentilhas.
O que é arroz Acquerello?
É um arroz carnaroli cultivado na Tenuta Colombara, no Piemonte, envelhecido por pelo menos um ano em silos e com o gérmen reincorporado ao grão por um processo patenteado. O Picchi usa esse arroz nos seus risotos.
Fontes
- Material de imprensa do Picchi (fotos do menu degustação de agosto de 2025), enviado pela Agência Síbaris em 2 out. 2026
- Restaurante Picchi: site oficial (história, chef, horários e contato, consultado em 2 out. 2026)
- Restaurante Picchi: cardápio de fevereiro de 2026 (PDF)
- Restaurante Picchi: carta de sobremesas (PDF, junho de 2025)
- Versatille, ed. 123: "Por trás dos pratos: Picchi", por Giulianna Iodice (2 fev. 2022)
- Prazeres da Mesa: perfil de Pier Paolo Picchi (27 set. 2016)
- Guia GPHR: Restaurante Picchi recebe a primeira estrela Michelin (2017)
- Reporter Gourmet: Pier Paolo Picchi, por Andrea Febo (18 jan. 2025)
- Visit Tuscany (turismo oficial da Toscana): os sabores de Siena
- Acquerello: o arroz da Tenuta Colombara
- Consorzio di Tutela Bresaola della Valtellina
- JETRO (Organização de Comércio Exterior do Japão): Wagyu
- Kikkoman: glossário, shiso/perilla
- Accademia Macelleria Italiana: ossobuco, o que é
Preços, estrelas e horários mudam: confirme sempre no site oficial do restaurante antes de reservar. Viu algo errado? Sugira uma correção.
Escrito com apoio de ferramentas de IA e revisado por Gustavo Leite.



