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The Ledbury, em Londres: 3 pratos que contam a história do restaurante

A cavala na chama, o shiitake cultivado no porão e o porco ibérico criado pelo chef: a história do The Ledbury, três estrelas em Londres, em três pratos.

★★★ 3 estrelas MichelinFonte: Guia Michelin Grã-Bretanha & Irlanda 2026

Conteúdo feito por pesquisa, com base nas fontes listadas no fim da página. Não visitamos os restaurantes citados, a não ser quando isso é dito no texto. Como trabalhamos.

Há restaurantes que crescem comprando ingredientes melhores. O The Ledbury cresceu indo buscar os ingredientes cada vez mais perto da origem: primeiro no mercado, depois no próprio porão, depois numa fazenda.

A casa abriu em 2005, numa esquina residencial de Notting Hill, no oeste de Londres. Ganhou a primeira estrela Michelin em 2006, a segunda em 2010 e a terceira na edição de 2024. O australiano Brett Graham, chef e sócio desde o primeiro dia, tornou-se então, segundo a revista Gourmet Traveller, o primeiro chef e sócio australiano de um restaurante a receber três estrelas. Em 2026, o Ledbury manteve as três.

Os três pratos a seguir não são os mais caros nem os mais famosos do menu. Foram escolhidos porque, juntos, mostram o caminho que o chef percorreu e o cuidado com que fez isso.

1. A cavala na chama: o começo

Em 2025, quando a revista Luxury London pediu a Brett Graham que olhasse para os vinte anos da casa, o primeiro prato de que ele se lembrou foi também um dos mais simples: uma cavala preparada na chama, servida com pepino e tartar de cavala, dos primeiros tempos do restaurante. Para ele, foi “um dos pratos que começaram a fazer o nosso nome e a desenvolver o nosso estilo”.

A escolha diz muito. A cavala é um dos peixes mais comuns e baratos das águas britânicas, longe do prestígio do linguado ou da lagosta. Um restaurante recém-aberto, querendo chamar atenção, poderia ter apostado num ingrediente de luxo. O Ledbury apostou em tratar com cuidado um peixe do dia a dia.

O prato evoluiu com os anos. Em janeiro de 2016, o crítico britânico Andy Hayler o registrou como cavala grelhada na chama com pepino em conserva, mostarda celta e shissô, a erva japonesa de folha recortada também chamada de perilla. Na descrição dele, a mostarda e o vinagre da conserva equilibram a gordura natural do peixe. O fogo alto, por sua vez, é a técnica que um peixe gorduroso pede: deixa a pele crocante sem secar a carne.

2. O shiitake do porão: o recomeço

Em junho de 2020, com a pandemia, Brett Graham anunciou que o Ledbury ficaria fechado por tempo indeterminado. A casa só reabriu em fevereiro de 2022, quase dois anos depois. Na volta, o restaurante tinha menos lugares, menos serviços por semana e uma novidade discreta no andar de baixo: um armário de cultivo de cogumelos, fornecido pela Bristol Fungarium.

Em abril de 2022, o chef mostrou o armário ao site Restaurant Online e contou o que crescia ali dentro: juba-de-leão, cogumelo-ostra cinza, shiitake e uma variedade japonesa usada para fazer chá. Explicou que tentava manter a umidade em torno de 90%. E então disse algo pouco comum de ouvir de um chef com a trajetória dele: “Na verdade sou um amador, há muito a aprender”. Menos de um ano depois, em março de 2023, o Ledbury recuperou as duas estrelas que tinha perdido enquanto esteve fechado.

É essa franqueza que ajuda a entender o prato. Na crítica de junho de 2024, Andy Hayler descreveu um shiitake braseado e depois grelhado, com emulsão de agrião e ravióli de koji de trigo-sarraceno. O koji é o fungo que o Japão usa há séculos para fermentar missô e saquê. Num mesmo prato estão um cogumelo cultivado poucos metros abaixo da cozinha, uma folha comum na mesa inglesa e uma técnica de fermentação japonesa.

Em 2025, falando de outro prato com os cogumelos da casa, o chef resumiu a ideia: o cliente pode “ver de onde aquilo veio” no próprio prato.

3. O porco ibérico da fazenda: o compromisso

O terceiro prato começa longe de Notting Hill, no campo inglês. Brett Graham fundou a Capability Graham, um projeto de criação e agricultura que o site oficial descreve como guiado pela “regeneração, sazonalidade e reverência pelo mundo natural”. A fazenda cria várias espécies de cervo, entre elas os raros cervos-brancos, gado da raça Jersey e, segundo o próprio site, o primeiro rebanho de porcos ibéricos da Grã-Bretanha.

Criar porco ibérico, uma raça ligada à Espanha e a Portugal, na Inglaterra não é algo que se resolve numa estação. O projeto desenvolveu uma ração própria, sem soja, e é feito em parceria com Harry Heath, agricultor de Shropshire, no oeste da Inglaterra, que cuida da criação, do pasto e da produção da ração.

Na crítica de junho de 2024, o último prato salgado do menu foi justamente esse porco ibérico de Shropshire, com cerejas inglesas e beterraba. A mesma raça já tinha aparecido no começo da refeição, em forma de presunto, lombo e salame. Em 2025, o chef contou à Luxury London que muitos pratos recentes levam “dois ou três ingredientes da nossa fazenda”, entre carne bovina, carne de porco, carne de cervo e mel.

Os três pratos lado a lado

Prato Registrado em Ingredientes principais De onde vem a descrição
Cavala na chama Por volta de 2005 (primeira versão); jan. 2016 Cavala, pepino em conserva, mostarda, shissô Entrevista do chef à Luxury London (2025) e crítica de Andy Hayler (2016)
Shiitake do porão Jun. 2024 Shiitake cultivado na casa, agrião, koji de trigo-sarraceno Entrevista do chef ao Restaurant Online (2022) e crítica de Andy Hayler (2024)
Porco ibérico da fazenda Jun. 2024 Porco ibérico de Shropshire, cerejas inglesas, beterraba Site da Capability Graham e crítica de Andy Hayler (2024)

Os ingredientes, um a um

Do prato 1, a cavala na chama:

Do prato 2, o shiitake do porão:

Do prato 3, o porco ibérico:

No armário de cogumelos da casa, segundo o chef em 2022: juba-de-leão, cogumelo-ostra cinza, shiitake e uma variedade japonesa usada para fazer chá.

O que os três pratos têm em comum

Lidos em sequência, os três pratos contam uma história. A cavala é o Ledbury do começo, que tratou um peixe simples com seriedade. O shiitake é o Ledbury do recomeço, que voltou da pandemia aprendendo a cultivar o próprio cogumelo e sem medo de dizer que ainda estava aprendendo. O porco ibérico é o Ledbury de hoje, em que o chef cria parte dos animais que serve.

Quando a terceira estrela chegou, em fevereiro de 2024, Brett Graham disse ao Restaurant Online que não a via como uma conquista pessoal: “É da equipe inteira”.

Informações práticas

Item Informação
Endereço 127 Ledbury Road, Notting Hill, Londres W11 2AQ
Chef Brett Graham (chef e sócio desde 2005)
Estrelas 3 (Guia Michelin Grã-Bretanha & Irlanda 2026)
Formato Menu-degustação, que muda conforme a estação
Reservas Site oficial: theledbury.com
Contato info@theledbury.com · +44 20 7792 9090

Os outros restaurantes estrelados do Reino Unido, com endereço e site oficial de cada um, vão aparecer na página Restaurantes estrelados por país.

Nota editorial

Este artigo é uma homenagem ao trabalho de Brett Graham e da equipe do The Ledbury, feita por pesquisa. O Guia da Alta Gastronomia não esteve no restaurante e não provou os pratos. Por isso, o texto não descreve sabores como experiência própria.

Perguntas frequentes

Quantas estrelas Michelin o The Ledbury tem?

Três estrelas, recebidas na edição 2024 do Guia Michelin Grã-Bretanha & Irlanda e mantidas na edição 2026. O restaurante ganhou a primeira estrela em 2006 e a segunda em 2010.

Onde fica o The Ledbury?

No número 127 da Ledbury Road, em Notting Hill, oeste de Londres (CEP W11 2AQ). Reservas pelo site oficial, theledbury.com.

Quem é o chef do The Ledbury?

O australiano Brett Graham, chef e sócio do restaurante desde a abertura, em 2005. Segundo a revista Gourmet Traveller, ele foi o primeiro chef e sócio australiano de um restaurante a receber três estrelas Michelin.

Qual é o prato mais conhecido do The Ledbury?

A cavala grelhada na chama é o prato mais lembrado da história da casa. Em entrevista à revista Luxury London, em 2025, Brett Graham a citou como um dos pratos que começaram a fazer o nome do restaurante.

O The Ledbury cultiva os próprios ingredientes?

Em parte, sim. O restaurante cultiva cogumelos em um armário de cultivo no próprio prédio, desde a reabertura de 2022. A Capability Graham, fazenda fundada pelo chef, fornece carne de cervo, carne bovina da raça Jersey, porco ibérico e mel.

O que é koji?

É um fungo (Aspergillus oryzae) usado há séculos no Japão para fermentar missô, molho de soja e saquê. No The Ledbury, aparece num ravióli de koji de trigo-sarraceno, servido com shiitake.

O que é shissô?

É uma erva da família da hortelã, também chamada de perilla, muito usada no Japão e na Coreia. O aroma lembra hortelã, manjericão e anis. No The Ledbury, acompanha a cavala grelhada na chama.

Esses três pratos estão no cardápio hoje?

Não necessariamente. O The Ledbury trabalha com menu-degustação que muda conforme a estação. Cada prato deste artigo vem com o ano em que foi registrado; confirme o menu atual com o restaurante.

Fontes

Preços, estrelas e horários mudam: confirme sempre no site oficial do restaurante antes de reservar. Viu algo errado? Sugira uma correção.

Escrito com apoio de ferramentas de IA e revisado por Gustavo Leite.

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