Um disco alaranjado, poroso como uma esponja, no centro de uma tigela bege. Por cima, pétalas brancas de bordas recortadas. A “nuvem” é feita de ouriço-do-mar e lagosta.
O nome é Uni Cloud, e a criação é do casal John Shields e Karen Urie Shields, à frente do Smyth, três estrelas no Guia Michelin Chicago 2025. Quem nos passou a foto e a explicação do preparo foi a assessoria da casa.
O que diz o restaurante
O prato é montado em camadas:
É uma combinação de caldo de lagosta, gema de ovo, açúcar e ouriço-do-mar batido, tudo misturado e incorporado com chantilly de cera de abelha (para dar estrutura). A mistura é então colocada em uma embalagem a vácuo para aerar. Retirada no momento perfeito e deixada no congelador para firmar, criando uma textura semelhante a uma nuvem, que repousa sobre um creme de lagosta.
Por baixo da nuvem, ainda segundo o restaurante, há três elementos escondidos:
- carne da cauda da lagosta, temperada com umeboshi;
- cevada com abacaxi e suco de limão rosa (pink lime);
- uma garra de lagosta temperada com caranguejo e avelã.
Sobre o creme e sob a nuvem, completam o prato um marzipã de lagosta, uma redução de tomate e cítricos e óleo de avelã.
Como a nuvem é feita
Pela descrição do Smyth, o preparo tem quatro etapas:
- A mistura: caldo de lagosta, gema, açúcar e ouriço batido.
- A estrutura: a mistura é incorporada a um chantilly de cera de abelha, que, segundo o restaurante, serve “para dar estrutura”.
- O ar: a massa vai para uma embalagem a vácuo.
- O frio: no “momento perfeito”, sai do vácuo e vai para o congelador, onde firma com a textura de nuvem.
A foto mostra o resultado: uma superfície cheia de alvéolos, como uma esponja, na cor laranja do ouriço.
A dificuldade, pela própria descrição, está no tempo: a nuvem tem de ser retirada do vácuo “no momento perfeito”. O restaurante não detalhou temperaturas nem tempos.
Por trás do prato
Uma cozinha de fermentação e umami
O chef Grant Achatz, ex-chefe de John Shields no Alinea, descreveu a cozinha do Smyth ao Resy como apoiada em fermentação, algas e “uma busca paciente pelo umami”, com frutos do mar tratados com a seriedade que a maioria das cozinhas reserva à carne. No Uni Cloud, o ouriço, descrito pela Sushipedia como de “umami excepcionalmente encorpado”, divide o prato com a lagosta.
O gosto pelo salgado e o azedo japoneses
O umeboshi que tempera a cauda da lagosta não é um caso isolado. Em 2024, John contou ao Fine Dining Lovers que a cozinha faz “boshis” de vários ingredientes, salgando e adoçando broto de abeto, groselha-negra, pimentas e flores de citros, numa técnica inspirada justamente no umeboshi.
O ouriço no Smyth
O ouriço já apareceu em outro prato da casa: um parfait de ouriço do Maine, mostrado em foto do restaurante na homenagem do Resy aos dez anos do Smyth, em setembro de 2026.
Frutas tropicais
O abacaxi da cevada lembra uma relação antiga do chef. John cresceu em Clearwater, na Flórida, e o Smyth trabalha com a Miami Fruit, pequena fazenda do sul da Flórida, de onde em 2024 vinham abacaxis, sapoti e fruto do cacau (Fine Dining Lovers). O restaurante não informou a origem do abacaxi deste prato.
Os ingredientes, um a um
- Ouriço-do-mar (uni): uni é o nome japonês das gônadas do ouriço, a parte comestível do animal. Segundo a Sushipedia, tem sabor cremoso, levemente doce, com muito umami e notas que lembram o mar, e textura que derrete na língua.
- Lagosta: aparece em quatro formas no prato: caldo, creme, carne da cauda e da garra, e marzipã.
- Gema de ovo: entra na mistura da nuvem com o caldo e o açúcar.
- Cera de abelha: purificada, é usada na produção de alimentos e aprovada na União Europeia como aditivo E901, em pequenas quantidades, como agente de revestimento (Wikipedia). No Uni Cloud, entra no chantilly.
- Umeboshi: a fruta ume (Prunus mume) em conserva de sal e seca. É “extremamente azeda e salgada” e costuma ficar vermelha por causa do akajiso, o shiso roxo usado na conserva (Wikipedia).
- Cevada: o grão do prato vem com abacaxi e suco de limão rosa.
- Limão rosa (pink lime): o restaurante não especificou a variedade.
- Caranguejo e avelã: temperam a garra da lagosta.
- Marzipã de lagosta: o marzipã clássico é uma pasta de açúcar e farinha de amêndoas (Wikipedia). O restaurante não explicou como faz a versão com lagosta.
- Redução de tomate e cítricos e óleo de avelã: ficam sobre o creme, sob a nuvem.
Mais sobre três ingredientes
Uni: o que é e como reconhecer o fresco
A Sushipedia explica que o ouriço, como animal, tem outros nomes em japonês: 海胆, “entranhas do mar”, ou 海栗, “castanha do mar”, por causa da aparência espinhosa, parecida com a casca da castanha. Já 雲丹, a forma usada para o alimento, descreve a cor e o aspecto das gônadas. A frescura faz toda a diferença: segundo o mesmo site, o uni fresco quase não tem cheiro, enquanto o mal conservado ganha notas de peixe desagradáveis.
Umeboshi: a conserva dos samurais
Segundo a Wikipedia, as ameixas ume são colhidas por volta de junho, postas em barris com cerca de 20% do peso em sal e deixadas na salmoura por umas duas semanas, antes de secar. O resultado tem tanto sal que o umeboshi tradicional chega a ser um quarto de sal no peso seco. No Japão, ele acompanha o arroz e recheia o onigiri; os samurais o valorizavam contra o cansaço das batalhas.
Cera de abelha na cozinha
Além de aditivo alimentar, a cera de abelha é usada para revestir queijos, porque veda a entrada de ar e protege contra o mofo, e é ingrediente comum de chicletes naturais, segundo a Wikipedia. A mesma fonte observa que o organismo humano quase não digere a cera, que por isso tem pouco valor nutricional.
O prato em camadas
| Camada | O que tem | Fonte |
|---|---|---|
| Topo | A nuvem: caldo de lagosta, gema, açúcar, ouriço batido e chantilly de cera de abelha | Smyth |
| Sob a nuvem | Marzipã de lagosta, redução de tomate e cítricos, óleo de avelã | Smyth |
| Escondido | Cauda com umeboshi; cevada com abacaxi e limão rosa; garra com caranguejo e avelã | Smyth |
| Base | Creme de lagosta | Smyth |
O que a foto mostra
- Um disco alaranjado, alto e redondo, com a superfície e as laterais cheias de pequenos alvéolos.
- Pétalas brancas de bordas franjadas espalhadas por cima, algumas com a base verde.
- Uma tigela de cerâmica bege, larga e funda, com um brilho no fundo que parece ser o creme.
O restaurante não identificou as flores. Por isso, não dizemos qual é a espécie.
Curiosidades
- Nuvem no nome: em japonês, uni também se escreve 雲丹, com os caracteres de “nuvem” e “vermelhão”, em referência à aparência do ouriço (Sushipedia).
- Ar sob vácuo: segundo o restaurante, a textura de nuvem vem de uma embalagem a vácuo, antes do congelamento.
- Cera que dá estrutura: o chantilly de cera de abelha serve “para dar estrutura” à nuvem, segundo o Smyth.
- Lagosta em quatro formas: caldo, creme, carne e marzipã (descrição do Smyth).
- Herança do umeboshi: a cozinha do Smyth faz os próprios “boshis” de frutas e flores, inspirados no umeboshi (Fine Dining Lovers, 2024).
Informações práticas
| Restaurante | Smyth |
| Endereço | 177 N. Ada Street, Suite 101, Chicago, IL 60607, Estados Unidos |
| Chefs | John Shields (chef executivo) e Karen Urie Shields (chef executiva de confeitaria) |
| Estrelas | 3 estrelas Michelin (Guia Michelin Chicago 2025) |
| Menus | Smyth Menu US$ 420; Chef’s Menu US$ 550 (outubro de 2026); só o Chef’s Menu a partir de 5 nov. 2026 |
| Site | smythchicago.com |
A história do restaurante, os preços e como reservar estão no artigo Smyth, em Chicago: o três estrelas de John e Karen Urie Shields.
Nota editorial
Escrevemos sem ter provado o prato, a partir de pesquisa. A foto e a explicação do preparo vieram da assessoria Kinship, por Jacqueline Southwell, em 5 de outubro de 2026, com o crédito “Smyth”; traduzimos o texto do inglês. Tudo o que vai além disso, sobre ouriço, lagosta e técnicas, é conhecimento geral das fontes no fim da página, não a receita da casa. O cardápio do Smyth muda o tempo todo, então vale confirmar se a Uni Cloud continua sendo servida.
Perguntas frequentes
O que é o Uni Cloud do Smyth?
É um prato do Smyth, restaurante de três estrelas Michelin em Chicago. Segundo o restaurante, é uma "nuvem" de caldo de lagosta, gema, açúcar e ouriço-do-mar batido, incorporada a um chantilly de cera de abelha, aerada a vácuo e firmada no congelador. Ela repousa sobre um creme de lagosta, com cauda e garra de lagosta por baixo.
O que é uni?
Uni é o nome japonês das gônadas do ouriço-do-mar, a parte comestível do animal. Segundo a Sushipedia, tem sabor cremoso, levemente doce e com muito umami, e textura que derrete na língua.
Cera de abelha pode ser comida?
Sim, em pequenas quantidades. A cera de abelha purificada é um aditivo alimentar aprovado na União Europeia com o código E901, usado como agente de revestimento. No Uni Cloud, segundo o Smyth, ela entra num chantilly para dar estrutura à nuvem.
O que é umeboshi?
É a fruta ume (Prunus mume) salgada e seca, um clássico da cozinha japonesa. É muito azeda e salgada e costuma ficar vermelha por causa das folhas de shiso roxo usadas na conserva.
O Uni Cloud está sempre no menu?
Não necessariamente. O Smyth avisa que não tem pratos fixos: o menu muda o tempo todo, e os pratos enviados ao Guia foram fotografados ao longo do último ano.
Por que o prato se chama Uni Cloud?
Uni é ouriço-do-mar em japonês, e cloud quer dizer nuvem em inglês. Segundo o Smyth, a mistura de ouriço é aerada a vácuo e firmada no congelador, o que cria uma textura semelhante a uma nuvem. Em japonês, a palavra uni também se escreve com o caractere de nuvem (雲丹).
Fontes
- Smyth: descrição do prato e foto enviadas ao Guia da Alta Gastronomia por Jacqueline Southwell, assessoria Kinship (5 out. 2026)
- Fine Dining Lovers (Kiki Aranita): "Love, joy, and mussels for dessert at Smyth" (4 jun. 2024)
- Fine Dining Lovers (Ari Bendersky): "Pursuing a Star Takes Focus. Keeping Three? That Takes a Team." (9 abr. 2025)
- Resy (Laura Scherb): "A Chef Tribute to Smyth on Their 10th Anniversary" (28 set. 2026)
- Sushipedia: "What is Uni Sushi?"
- Wikipedia: "Umeboshi"
- Wikipedia: "Beeswax" (cera de abelha, aditivo E901)
- Wikipedia: "Marzipan"
- Guia Michelin: ficha do Smyth (avaliação de 18 nov. 2025, consultada em 6 out. 2026)
Conteúdo produzido com apoio de IA e revisado pelo editor-chefe, Gustavo Leite dos Santos.



